O que fazer quando recebes uma carta a pedir pagamento pela tua marca
Lista de verificação para saber se uma carta ou email sobre a tua marca é do INPI ou burla, como confirmar no INPI e o que fazer se já pagaste.
Atualizado a · 6 min de leitura
Depois de pedires uma marca, é quase certo que recebes cartas ou emails a pedir centenas ou milhares de euros por "vigilância", "publicação" ou "registo internacional". Não são do INPI. O INPI só cobra quando tu próprio pedes um ato no site dele, por referência Multibanco com cerca de 3 dias para pagar, e nunca por transferência. Confirma sempre no teu processo antes de pagar.
Antes de começar
- A carta ou o email, com o envelope ou o endereço do remetente.
- O número do teu processo no INPI.
- Acesso à pesquisa do INPI.
- Não pagues nada enquanto não terminares esta lista.
Passo a passo
1. Vê quem envia
Se o remetente não é o INPI, é uma proposta privada. O INPI tem avisos, desde 2016, contra cartas de entidades como BRAND LAND, WDTP, IOPR, PORTUGAL TRADEMARK e TRADEMARK PUBLISHER. Os emails falsos mais recentes usam o nome do INPI, vêm assinados com nomes de diretores do INPI e mencionam o EUIPO e o TMDN. Os endereços do INPI terminam em justica.gov.pt e as notificações verdadeiras vêm de um endereço no-reply. Se a mensagem fala em nome do INPI mas os contactos são de outro domínio, é um sinal forte de burla.
2. Vê o que te pedem
Nenhuma lei obriga a contratar vigilância nem a publicar a marca em catálogos, bases de dados ou "registos" privados. A única publicação oficial é a do Boletim da Propriedade Industrial (BPI), feita pelo INPI e já incluída na taxa do pedido. A proteção vem só do registo no INPI, no EUIPO ou na OMPI. Uma "cópia certificada do registo" enviada sem a pedires também é sinal de alerta.
3. Vê como querem que pagues
| Sinal | Leitura |
|---|---|
| Transferência para IBAN estrangeiro (os alertas do INPI falam de IBAN polacos) | Sinal forte de burla |
| Transferência para qualquer IBAN | O INPI não cobra por transferência |
| Link de pagamento no email | O INPI não manda links de pagamento por email |
| Referência Multibanco | Sozinha não prova nada: as cartas de vigilância também a usam. As do INPI aparecem no fim de um ato que tu fizeste no site |
4. Compara o valor com as taxas verdadeiras
As taxas do INPI de 2026 (por confirmar na tabela oficial) são estas: pedido online com 1 classe, 151,98 €; concessão, 12,85 €, paga uma vez depois de a marca ser concedida; renovação, 151,98 €, só ao fim de 10 anos. Valores encontrados nas cartas: 338,25 € e 344,40 € por vigilância durante 10 anos, 300 a 600 € em 2016, 1.200 a 1.900 € nos emails de agosto de 2026. Nenhum corresponde a uma taxa oficial.
5. Desconfia de urgência e ameaças
Ameaças de perder a marca, prazos de poucos dias e a palavra "urgente" são técnicas comuns nestas cartas. Os prazos verdadeiros do INPI estão no processo: 1 mês para responder a uma recusa provisória, 2 meses para contestar uma reclamação, 6 meses para pagar a concessão.
6. Lê a letra miúda
Frases como "isto não é uma fatura", "proposta de inscrição" ou "oferta de serviço" mostram que é uma proposta comercial desenhada para parecer uma cobrança. Em alguns casos, pagar vale como aceitar um contrato.
7. Não te deixes convencer pelos teus dados
A carta traz o número do processo, o teu nome e a marca porque esses dados são públicos: o pedido é publicado no BPI para que terceiros possam reclamar. Não provam que o remetente é oficial.
8. Confirma no INPI
Abre o teu processo na pesquisa do INPI com "Consulta direta por número de processo". Vê a fase atual, a situação de taxas e os documentos relacionados: se não há nenhum ato pendente nem taxa devida, a carta não é do INPI. Também podes pesquisar a tua marca no Farejo, em /marcas, que mostra a fase em linguagem simples. Na dúvida, contacta o INPI pelos contactos do site oficial (inpi.justica.gov.pt) ou por [email protected], nunca pelos que vêm na carta.
Se for burla ou proposta que não pediste
- Não pagues e não respondas com dados pessoais ou bancários.
- Guarda a carta ou o email, com a data.
- Se é um email falso em nome do INPI, apresenta queixa na Polícia Judiciária. O INPI já apresentou queixa por estes esquemas e diz que a Europol foi informada.
- Se é uma proposta comercial enganadora, podes reclamar, como outras pessoas fizeram na DECO PROteste e no Portal da Queixa.
Se já pagaste
- A uma empresa de vigilância ou publicação: pede o reembolso por escrito. As queixas públicas mostram que pelo menos uma destas empresas devolveu o dinheiro a quem reclamou.
- Por transferência, em resposta a um email falso em nome do INPI: apresenta queixa na Polícia Judiciária o mais cedo possível, com o comprovativo e o email.
- Em qualquer dos casos, o teu pedido no INPI continua igual: pagar ou não pagar a terceiros não tem efeito nenhum no processo.
Erros comuns
- Pagar a julgar que é uma taxa obrigatória para a marca ser aprovada.
- Confiar na carta por trazer o número do processo e o logótipo.
- Ligar para o número que vem na carta para confirmar.
- Confundir uma reclamação verdadeira, que aparece no processo, com uma carta comercial. Se tiveres dúvidas sobre uma reclamação, lê como responder a uma oposição.
- Pagar a intermediários a renovação, que se faz diretamente no INPI (ver como renovar uma marca).
Perguntas frequentes
Como sei se uma carta é mesmo do INPI?
Abre o teu processo na pesquisa do INPI pelo número. Uma notificação verdadeira aparece lá, e as taxas do INPI pagam-se por referência Multibanco no fim de um ato que tu pedes no site, nunca por transferência.
É obrigatório pagar a vigilância da marca?
Não. A vigilância serve para saberes a tempo de reclamar contra pedidos parecidos, mas é sempre uma escolha tua. Não pagar não tem efeito nenhum no teu pedido.
Como é que tinham os meus dados?
O pedido de marca é publicado no Boletim da Propriedade Industrial, e o nome do requerente, o sinal, as classes e o número do processo ficam públicos. É daí que estas empresas tiram os dados.
Já paguei. Consigo recuperar o dinheiro?
Se pagaste uma proposta de vigilância, pede o reembolso por escrito. Se transferiste para um IBAN a pedido de um email falso do INPI, apresenta queixa na Polícia Judiciária.
Fontes
- INPI, Alerta para pedidos fraudulentos de pagamento de taxas em nome do INPI (28-08-2025): https://inpi.justica.gov.pt/Noticias-do-INPI/Alerta-para-pedidos-fraudulentos-de-pagamento-de-taxas-em-nome-do-INPI
- INPI, Alerta para pedidos fraudulentos de pagamento de taxas em nome do INPI (12-08-2026): https://inpi.justica.gov.pt/Noticias-do-INPI/Alerta-para-pedidos-fraudulentos-de-pagamento-de-taxas-em-nome-do-INPI-2
- INPI, Combate aos pedidos ilegais de pagamento: https://inpi.justica.gov.pt/Sobre-o-INPI/Combate-aos-pedidos-ilegais-de-pagamento
- INPI, Perguntas frequentes: https://inpi.justica.gov.pt/Perguntas-frequentes
- Virtualp, Burla no pós registo da marca (2016): https://virtualp.pt/burla-no-pos-registo-da-marca
- Observador, 24-03-2025: https://observador.pt/2025/03/24/instituto-nacional-da-propriedade-industrial-alerta-para-pagamentos-fraudulentos/
- Visão, 26-02-2017: https://visao.pt/atualidade/economia/2017-02-26-atencao-a-fraude-no-mundo-dos-registos-e-patentes/
- DECO PROteste, Tentativa de burla após pedido de registo (2020): https://www.deco.proteste.pt/reclamar/todas-as-reclamacoes/tentativa-de-burla-ap-C3-B3s-pedido/CPTPT00898446-32
- Portal da Queixa, Easy Marca, lista de reclamações: https://portaldaqueixa.com/brands/easymarca/complaints
- justica.gov.pt, Pagar uma taxa de concessão de registo: https://justica.gov.pt/Servicos/Pagar-uma-taxa-de-concessao-de-registo
- Bye Bye Problem, taxas de 2026 (fonte secundária): https://byebyeproblem.com/quanto-custa-registar-uma-marca-em-portugal-em-2026/
Informação geral sobre a lei e os procedimentos em Portugal, sem substituir aconselhamento jurídico para o teu caso. Os valores das taxas mudam: confirma sempre no site do INPI antes de pagar.